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Dinheiro Análise

Quanto dar de mesada para os filhos? Veja como decidir por idade

Mais do que o valor, o que importa é o aprendizado construído ao redor da mesada

Por Léo Mercado· Compartilhar
Criança guardando moedas em um cofrinho
Criança guardando moedas em um cofrinhoFoto: Unsplash

Dar mesada pode ser uma das primeiras oportunidades para ensinar uma criança a lidar com dinheiro de verdade.

Mas uma dúvida aparece rapidamente: quanto devo dar de mesada para meu filho?

Não existe um valor único que funcione para todas as famílias. A quantia deve considerar principalmente a idade da criança, a realidade financeira da família e quais despesas ela deverá aprender a administrar.

Mais importante que o valor é o aprendizado criado ao redor dele.

Quando começar a dar mesada?

A mesada pode começar quando a criança já consegue compreender conceitos básicos como: dinheiro é limitado; comprar uma coisa pode significar abrir mão de outra; é possível guardar hoje para comprar algo depois; escolhas têm consequências.

Para crianças menores, uma semanada pode ser mais fácil de entender do que receber dinheiro uma única vez por mês. À medida que crescem, períodos maiores ajudam a desenvolver planejamento.

Quanto dar?

Em vez de seguir uma fórmula rígida baseada apenas na idade, faça três perguntas: para que esse dinheiro será usado (pequenos desejos, lanches, passeios, transporte, roupas)? O que continuará sendo responsabilidade dos pais? E quanto cabe confortavelmente no orçamento familiar?

Despesas essenciais não devem simplesmente ser transferidas para a criança sem planejamento e orientação. Educação financeira não deveria começar colocando pressão sobre as próprias finanças da família.

O valor ideal é aquele que permite que a criança faça escolhas reais, inclusive algumas escolhas ruins de baixo impacto, sem comprometer necessidades importantes.

Não corra para salvar toda escolha errada

Imagine que seu filho receba o dinheiro e gaste tudo nos primeiros dias. Depois aparece algo que ele realmente gostaria de comprar.

Essa situação pode ensinar algo que nenhuma aula explica tão bem: dinheiro gasto deixa de estar disponível para outra escolha.

Se os pais sempre repõem imediatamente o dinheiro, parte desse aprendizado desaparece. O objetivo não é punir — é permitir que pequenas decisões financeiras tenham consequências seguras enquanto os valores ainda são pequenos.

Ensine a dividir o dinheiro

Uma estratégia simples é criar três destinos: Gastar (dinheiro disponível para pequenas escolhas pessoais), Guardar (para objetivos maiores que exigem esperar) e Compartilhar (uma parte que pode ser destinada a presentes, causas ou outras decisões escolhidas pela família).

A criança começa a perceber que dinheiro não serve apenas para comprar imediatamente. Ele também pode ser planejado.

Crie uma meta concreta

Guardar dinheiro fica muito mais interessante quando existe um objetivo visível: um brinquedo, um jogo, um passeio, uma bicicleta, um computador, algo que a criança realmente queira.

Se algo custa R$ 300 e ela consegue guardar R$ 30 por período, vocês podem acompanhar juntos quanto falta para chegar ao objetivo. Ela começa a aprender naturalmente conceitos como planejamento, prioridade e espera.

Mesada deve estar ligada a tarefas?

Nem toda responsabilidade doméstica precisa gerar pagamento. Arrumar o próprio quarto ou cuidar das próprias coisas também faz parte da participação na família.

Uma alternativa é separar responsabilidades familiares, que fazem parte da rotina, de tarefas extras, que podem gerar recompensas previamente combinadas.

Assim, a criança aprende duas coisas diferentes: todos colaboram com a família, e esforço adicional pode gerar uma recompensa.

O maior erro é dar dinheiro sem ensinar

Uma mesada sozinha não cria educação financeira. A conversa ao redor dela é que transforma dinheiro em aprendizado.

Pergunte: quanto você recebeu? Quanto ainda tem? Quer gastar agora ou guardar? Qual é sua próxima meta? Quanto falta para alcançá-la?

Essas pequenas decisões ajudam a construir habilidades que serão usadas durante toda a vida.

Dinheiro se aprende em família

Crianças não precisam esperar chegar à vida adulta para descobrir como dinheiro funciona. Elas podem aprender aos poucos, com decisões adequadas à idade e acompanhadas pelos pais.

LM
Sobre o autor
Léo Mercado
Editor de Dinheiro e Negócios

Cobre bastidores corporativos e mercado financeiro. Personagem fictício para demonstração.

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